# Trabalhadores informais fazem novo ato contra programa Tolerância Zero no Rio

> Camelôs, vendedores ambulantes e trabalhadores informais realizaram neste sábado (19) o quarto ato consecutivo contra o programa Tolerância Zero, da Prefeitura do Rio, em Ipanema. O protesto ocorre um dia após o Ministério Público Federal (MPF) pedir à Justiça a suspensão do programa.

*TNT Web · Apps e Software · 18 de julho de 2026 · Dani Travassos*

Camelôs, vendedores ambulantes e trabalhadores informais realizaram neste sábado (19) o quarto ato consecutivo contra o programa Tolerância Zero, da Prefeitura do Rio, em Ipanema. O protesto ocorre um dia após o MPF pedir à Justiça a suspensão do programa.

Camelôs, vendedores ambulantes e trabalhadores informais voltaram a se reunir neste sábado (19) em frente ao Hotel Fasano, em Ipanema, para protestar contra o programa Tolerância Zero, da Prefeitura do Rio de Janeiro. O programa intensificou a fiscalização do comércio ambulante na orla da zona sul. Este é o quarto ato consecutivo realizado pela categoria em uma semana, um dia após o Ministério Público Federal (MPF) pedir à Justiça a suspensão do programa.

Com panelas, apitos, tambores e palavras de ordem como "Unidos podemos trabalhar", os ambulantes chamam atenção para o que classificam como criminalização da categoria. Eles cobram a abertura de uma mesa de negociação com a prefeitura.

A coordenadora do Movimento Unido dos Camelôs (Muca), Maria de Lourdes do Carmo, conhecida como Maria dos Camelôs, garantiu que as mobilizações continuarão "enquanto não houver diálogo". "Vai ter ato todos os dias. As pessoas já estão se organizando para voltar às ruas. Esse é o quarto dia seguido de manifestação, além da mobilização da semana passada. A gente não vai abaixar a cabeça diante da criminalização que estão fazendo com a categoria", disse.

Segundo Maria, os trabalhadores defendem o ordenamento do comércio ambulante, mas reivindicam que o município diferencie vendedores informais de organizações criminosas. Eles pedem avanço na regularização de quem aguarda autorização para trabalhar. "Nossa reivindicação é simples, queremos trabalhar. Somos favoráveis ao ordenamento e ao combate às irregularidades, mas não aceitamos que toda a categoria seja tratada como criminosa. Há trabalhadores esperando há anos pela licença da prefeitura", afirmou.

## MPF pede suspensão do programa Tolerância Zero

Na sexta-feira (18), o MPF ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa Tolerância Zero. O órgão sustenta que a prefeitura implantou uma política permanente de fiscalização da orla sem observar as normas federais que disciplinam a gestão das praias e bens da União. O MPF também pede que a União e o município elaborem, em conjunto, um plano para compatibilizar o ordenamento urbano, o combate ao crime organizado e a proteção dos direitos dos trabalhadores ambulantes.

Para o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão Julio Araujo, a medida foi implementada sem diálogo com a União, sem participação da sociedade e sem alternativas para a regularização dos milhares de ambulantes que dependem da atividade.

## Prefeitura mantém programa e critica MPF

Após a ação do MPF, o prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, afirmou em publicação nas redes sociais que o programa será mantido. Ele classifica o pedido do MPF como uma "absoluta inversão de valores" e defende que a prefeitura tem competência constitucional para atuar no ordenamento urbano e no combate às estruturas criminosas que exploram ilegalmente o comércio ambulante na orla.

Maria dos Camelôs criticou a resposta do prefeito. "A resposta do prefeito foi desrespeitosa com o Ministério Público e com o procurador Julio Araujo. Além disso, continua sem abrir uma mesa de negociação com os trabalhadores e segue criminalizando um setor importante", disse.

## Próximos passos dos trabalhadores

A coordenadora afirmou que o movimento pretende ampliar a articulação institucional nas próximas semanas. Representantes da categoria iniciaram contatos com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e pretendem levar as reivindicações ao governo federal. "Nosso próximo passo é fazer uma denúncia ao governo federal. Já começamos a conversar com a SPU e queremos tratar diretamente desse assunto com o governo. Queremos um cessar-fogo nesta guerra entre a prefeitura e os trabalhadores", disse.

## Perguntas Frequentes

### O que é o programa Tolerância Zero?

É um programa da Prefeitura do Rio de Janeiro que intensificou a fiscalização do comércio ambulante na orla da zona sul.

### Por que os trabalhadores informais estão protestando?

Eles consideram que o programa criminaliza a categoria e pedem abertura de diálogo com a prefeitura para regularização.

### O que o MPF pediu?

O MPF ajuizou ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa, alegando que a prefeitura não observou normas federais.

### A prefeitura vai suspender o programa?

O prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere, afirmou que o programa será mantido.

### Qual o próximo passo dos trabalhadores?

Eles iniciaram contatos com a SPU e pretendem levar a denúncia ao governo federal.

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