# Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

> O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que pilotos da Voepass não reportavam falhas nas aeronaves. A cultura organizacional normalizava desvios, contribuindo para a queda do ATR em Vinhedo em 2024, com 62 mortos. O relatório apontou 19 fatores contribuintes, incluindo fragilidades na manutenção e alertas ignorados.

*TNT Web · Gadgets e Dispositivos · 24 de julho de 2026 · Dani Travassos*

O Cenipa concluiu que pilotos da Voepass não reportavam falhas nas aeronaves, revelando uma cultura organizacional que normalizava desvios. A queda do ATR em Vinhedo em 2024, com 62 mortos, teve 19 fatores contribuintes, com destaque para fragilidades na manutenção e alertas igno

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, revelando uma cultura organizacional que normalizava desvios técnicos. A investigação, divulgada nesta quinta-feira (23), apontou que a queda do voo PS-VPB em Vinhedo, em agosto de 2024, teve 19 fatores contribuintes, com destaque para fragilidades na manutenção e alertas ignorados.

O Cenipa concluiu que pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, mesmo recebendo alertas de gelo e falhas no sistema de degelo. A cultura organizacional normalizava desvios, e manutenções não cumpriam requisitos de segurança. A queda do voo PS-VPB em Vinhedo, em agosto de 2024, teve 19 fatores contribuintes, com 62 mortos.

## Como a cultura organizacional da Voepass contribuiu para o acidente

O Cenipa analisou os últimos voos anteriores da mesma aeronave, o turboélice ATR-72 212A, com tripulações diferentes. Em todos eles, realizados entre cidades do estado de São Paulo, houve detecção de gelo e falha no sistema que retira esse gelo das partes do avião. Porém, não houve relato dessas falhas no registro de bordo.

O Investigador-Encarregado do Cenipa, Tenente-Coronel Fróes, afirmou: "Três tripulações diferentes realizando normalização de desvio [de procedimento]. Fizemos uma análise mais ampla e notamos que outras tripulações também faziam isso, o que demonstra uma cultura organizacional".

### O que significa normalizar desvios na aviação

Normalizar desvios significa que pilotos e copilotos recebiam alertas do sistema e desligavam os alertas, percebiam falhas nos sistemas de correção, mas não reportavam essas falhas. O Cenipa concluiu que essa prática era comum dentro da Voepass, afetando diretamente a segurança dos voos.

## Falhas na manutenção das aeronaves da Voepass

As investigações mostraram que as manutenções nas aeronaves da empresa não cumpriam requisitos necessários de segurança. Mecânicos entrevistados afirmaram que havia troca de componentes em falha entre aeronaves: pegavam componentes em falha de uma aeronave, instalavam em outra e liberavam para voo.

Na ocasião, um representante da empresa afirmou que a aeronave havia passado por manutenção de rotina antes do voo e não apresentava nenhum problema técnico. As investigações, no entanto, mostraram "várias fragilidades nas atividades de manutenção".

## Os alertas ignorados durante o voo fatal

Durante o voo de Cascavel para Guarulhos, o sistema da aeronave alertou para o acúmulo de gelo várias vezes. O sistema também avisou, por oito vezes, que a velocidade da aeronave estava caindo em virtude do peso do gelo na fuselagem.

O sistema de degelo da aeronave chegou a ser acionado, mas apresentou falha e, por isso, foi desligado pelos pilotos. Não houve mudança no plano de voo em virtude dessas falhas.

O procedimento correto, de acordo com o Cenipa, é reiniciar o sistema. Caso haja uma segunda falha, o sistema tem que ser desligado e a aeronave levada a voar em níveis mais baixos, onde as temperaturas são menos extremas. Esse procedimento, no entanto, não foi adotado.

### Problema nos limpadores de para-brisa

Além das falhas no sistema, a aeronave não poderia ter voado naquele momento por um problema nos limpadores de para-brisa. Essa pane limitava a aeronave a voar apenas quando não estivesse chovendo e não houvesse previsão de chuva por uma hora antes da decolagem e uma hora após o pouso.

## O que os pilotos disseram durante o voo

Durante o voo, piloto e copiloto falavam sobre os alertas dados no painel. Depois de pouco mais de uma hora de voo, o copiloto avisou o piloto que havia esquecido de ligar o sistema de degelo, mesmo depois dos alertas. Minutos antes da queda, o copiloto comentou que havia "bastante gelo" na aeronave. Em outros momentos, antes desse ponto, o sistema de degelo já havia apresentado falha.

Próximo do destino, quando a aeronave passou a emitir vários alertas, como de excesso de gelo e de queda na velocidade em virtude do peso excessivo provocado por esse gelo, os pilotos passaram a lidar com várias questões ao mesmo tempo, como o procedimento de descida e os problemas com o gelo. Além disso, conversavam com a torre de comando sobre autorização para pouso.

Froés disse: "O cérebro não consegue gerenciar aquelas informações em excesso. Isso pode ter comprometido a reação deles aos alertas".

## Análise de 15 mil voos da Voepass

O Cenipa analisou 15 mil voos da Voepass para entender possíveis padrões. Desses 15 mil, 1.674 voos tiveram algum tipo de alerta de degradação de performance. Um desses voos teve perda de controle em algum momento. O Cenipa, no entanto, nunca foi informado desse episódio, algo que deveria ter ocorrido.

O Brigadeiro do Ar Avellar, chefe do Cenipa, afirmou: "O que podemos afirmar é que essa ocorrência foi um acidente com peso elevadíssimo da parte da cultura organizacional. Foram 19 fatores contribuintes, mas a cultura organizacional foi muito presente".

## Como o acidente aconteceu

A demora em obter a liberação para pouso, o acúmulo de gelo, as falhas no sistema e a reação tardia dos pilotos aos problemas contribuíram para a perda gradual de controle. O ATR-72 212A da Voepass acabou entrando em rotação em parafuso, colidindo contra o solo.

O acidente ocorreu no dia 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, município vizinho de Campinas, no interior de São Paulo. A aeronave, da marca francesa ATR, vinha de Cascavel, no Paraná, e seguia para Guarulhos (SP). Foram 62 mortos, sendo 4 deles tripulantes.

## Perguntas Frequentes

### O que o Cenipa concluiu sobre o acidente da Voepass?

O Cenipa concluiu que a queda teve 19 fatores contribuintes, com destaque para a cultura organizacional de não reportar falhas, manutenções insuficientes e alertas ignorados pelos pilotos.

### Por que os pilotos não relataram as falhas?

Segundo o Cenipa, havia uma cultura dentro da Voepass de normalizar desvios, onde pilotos desligavam alertas e não reportavam falhas nos sistemas de correção.

### Quantas pessoas morreram na queda do avião da Voepass?

Foram 62 mortos no acidente, sendo 4 deles tripulantes.

### O que é normalizar desvios na aviação?

Normalizar desvios significa aceitar procedimentos incorretos como rotina, sem reportá-los, o que compromete a segurança dos voos.

### Onde posso acessar o relatório completo do Cenipa?

O relatório completo do Cenipa está disponível no site oficial do órgão, conforme divulgado na conclusão das investigações.

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Fonte (canonical): https://tntweb.com.br/gadgets-e-dispositivos/pilotos-voepass-nao-relatavam-falhas-aeronaves-diz-cenipa/
