# Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

> Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar as ventanias de até 105 km/h no Rio e em São Paulo ao El Niño, fenômeno que deve ser o mais forte dos últimos 76 anos. As causas meteorológicas das ventanias não estão diretamente ligadas ao El Niño.

*TNT Web · Inteligência Artificial · 30 de julho de 2026 · Dani Travassos*

Ventos de até 105 km/h provocaram estragos no Rio e em São Paulo. Especialistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar as ventanias ao El Niño, fenômeno que deve ser o mais forte dos últimos 76 anos. Entenda as causas meteorológicas.

## Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

Ventos de até 105 km/h provocaram estragos e mortes no Rio de Janeiro e em São Paulo na tarde de quarta-feira (30). Segundo meteorologistas do Inmet e Cemaden, o fenômeno não pode ser associado diretamente ao El Niño. As rajadas foram causadas por uma combinação de fatores atmosféricos específicos.

## O que causou as ventanias no Rio e em São Paulo?

De acordo com Suellen Araujo, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região. Esse sistema se associou ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, chamado de "escoamento".

"A conjunção desses fatores auxiliou realmente na formação dessa instabilidade, que trouxe essas rajadas bem intensas. Inclusive, tivemos rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados", explicou a meteorologista.

Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h.

## Como se formou a linha de tempestades?

Marcelo Seluchi, coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), explica que as rajadas se formaram a partir de uma linha de estabilidade.

"É uma linha de tempestades alinhadas, como o nome indica, uma ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que estava na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos ontem à tarde", esclareceu Seluchi.

Ele acrescenta que a frente de rajada avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade. Em alguns locais, a tempestade em si nem ocorreu.

"Aqui onde nós estamos, no Vale do Paraíba [em São José dos Campos-SP], choveu mais no final da tarde e início da noite. Choveu um pouco, que foi o que restou daquela linha de tempestades que foi dissipando conforme elas foram avançando para o norte. Elas começaram lá no Paraná, Santa Catarina, mas, avançando para o norte, elas foram dissipando", disse Seluchi.

## Ventanias têm relação com o El Niño?

Tanto Suellen Araujo quanto Marcelo Seluchi avaliam que não é possível, ainda, associar o evento de quarta-feira ao El Niño. O El Niño é um fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, de tempos em tempos, e provoca alterações no clima global.

Neste ano, espera-se um El Niño mais intenso. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa), há uma probabilidade grande de que nesta temporada o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos.

"Teria que fazer uma avaliação um pouco mais minuciosa para poder verificar se [os ventos fortes de Rio e São Paulo] tem alguma coisa relacionada a esse fenômeno", afirma Suellen Araujo.

Seluchi considera difícil estabelecer uma relação direta dos ventos fortes com o El Niño. Ele esclarece, entretanto, que a linha de tempestades se formou a partir de uma frente estacionária que estava sobre o sul do Brasil.

"A frequência com que essas frentes estacionárias estão atuando na Região Sul já tem a ver com o fenômeno do El Niño. As frentes estão se tornando estacionárias com mais frequência, está chovendo com mais frequência e mais volume na Região Sul. E a linha de instabilidade é um efeito secundário, digamos, da presença dessas frentes na região sul", disse.

## Rajadas de vento podem acontecer em qualquer época?

Seluchi ressalta que a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenômenos que podem acontecer em qualquer época do ano.

"Acontece também em anos que não são do El Niño. A relação [das rajadas de vento] com o El Niño é mais difícil de estabelecer. Eu acho [que tem], mas é difícil provar que essa uma relação indireta".

## O que dizem outros especialistas?

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que é preciso ter estudos mais profundos para encontrar uma possível vinculação entre a ventania e o El Niño.

"Não tem como afirmar e nem contrariar essa correlação, que precisa ser estudada para depois, mais a frente, para se relacionar com o Super El Niño", disse.

## Perguntas Frequentes

### O que causou as ventanias no Rio e em São Paulo?

Segundo o Inmet, a causa foi a formação de uma zona de baixa pressão atmosférica associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores. O Cemaden explica que uma linha de tempestades sobre uma frente fria gerou uma frente de rajada.

### As ventanias têm relação com o El Niño?

Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar diretamente o evento ao El Niño. A relação é indireta e difícil de comprovar, embora o fenômeno esteja mais intenso neste ano.

### Qual a velocidade dos ventos registrados?

Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h. Em ambos os estados, as rajadas chegaram a cerca de 100 km/h.

### O que é uma frente de rajada?

É a ventania que se forma a partir de uma linha de tempestades alinhadas, que avança mais rápido que as nuvens da tempestade. Pode ocorrer mesmo sem chuva no local.

### O El Niño será o mais forte dos últimos 76 anos?

Segundo a Noaa, há grande probabilidade de que o El Niño desta temporada seja o mais forte dos últimos 76 anos.

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Fonte (canonical): https://tntweb.com.br/inteligencia-artificial/meteorologistas-dizem-nao-possivel-associar-ventanias-ao-el-nino/
