quinta-feira, 10 de setembro de 2026 · Edição online
TNT Web
TNT Web

Estudo mostra fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

ResumoO fóssil de peixe pré-histórico de Alto Garças, Mato Grosso, revela uma nova espécie datada de aproximadamente 254 milhões de anos. O espécime, excepcionalmente preservado, foi descrito em estudo com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A descoberta amplia o conhecimento sobre a fauna aquática do período Permiano na região central do Brasil.

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, foi apresentada em estudo com participação da Uerj. O fóssil, encontrado em Alto Garças, MT, está excepcionalmente preservado.

Dani Travassos Dani Travassos · Jornalista de geral
· · 2 min de leitura
Estudo mostra fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso
Foto: Imagem ilustrativa · TNT Web

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, foi apresentada em estudo com participação da Uerj. O fóssil, encontrado em Alto Garças, MT, está excepcionalmente preservado.

Uma nova espécie de peixe pré-histórico, que viveu há cerca de 254 milhões de anos, foi apresentada em estudo científico com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O fóssil, encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, está excepcionalmente preservado e oferece rara oportunidade de conhecer a vida no continente sul-americano antes de uma das maiores transformações da história da Terra.

Um estudo com participação da Uerj apresentou uma nova espécie de peixe pré-histórico, batizada de Leolepis. O fóssil, de cerca de 254 milhões de anos, foi encontrado em Alto Garças, MT, e está excepcionalmente preservado, com quase todo o corpo intacto.

A nova espécie pertence ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), que reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados atuais, incluindo atum, salmão e bacalhau. O animal tinha aproximadamente 15 centímetros de comprimento e corpo protegido por escamas resistentes formadas por dentina e esmalte, os mesmos materiais encontrados nos dentes humanos.

O grau de preservação torna o achado especialmente relevante. Enquanto grande parte dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida apenas por dentes, escamas ou fragmentos ósseos isolados, o exemplar de Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso, além de representar um achado raro em escala mundial.

O peixe viveu durante o Permiano Superior, em grande sistema aquático continental formado a partir de um antigo mar interior, quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que Leolepis se alimentava de pequenos invertebrados e plantas.

Contexto histórico e coincidência geológica

O fóssil ajuda a reconstruir parte de um ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica, ocorrida há aproximadamente 252 milhões de anos. O evento foi o maior episódio de extinção em massa conhecido: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Há ainda uma coincidência geológica: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, considerada a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul. A descoberta também é importante porque o registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é pouco conhecido.

A pesquisadora do Departamento de Zootecnia da Uerj, Valéria Gallo, envolvida na descrição do fóssil, afirma que "por estar excepcionalmente preservado, o exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná e a estabelecer novas correlações entre diferentes formações geológicas".

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que posteriormente o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

Compartilhar:
Dani Travassos

Dani Travassos

Jornalista de geral

Jornalista de geral.

Ver todos os artigos →

Leia também

Anac permite voos após 23h em Congonhas em exceções
Gadgets e Dispositivos

Anac permite voos após 23h em Congonhas em exceções

A Anac aprovou pedido da Abear para ampliar o horário de operações em Congonhas após as 23h, mas apenas em situações excepcionais. O funcionamento regular do aeroporto permanece entre 6h e 23h.

09 de setembro de 2026 · Jonas Ribaldo
Justiça reconhece falhas da Enel em apagão de dezembro de 2025 em SP
Gadgets e Dispositivos

Justiça reconhece falhas da Enel em apagão de dezembro de 2025 em SP

A Justiça de São Paulo reconheceu falhas da Enel no fornecimento de energia durante o apagão de 9 e 10 de dezembro de 2025, que afetou mais de 2 milhões de consumidores. Decisão rejeita argumento de que o ciclone excluiria a responsabilidade da concessionária.

09 de setembro de 2026 · Eloá Pimentel
Nacional estreia documentário que lembra histórico programa PRK-30
Gadgets e Dispositivos

Nacional estreia documentário que lembra histórico programa PRK-30

O documentário PRK-30 - O Rádio pelo Avesso estreia nesta quinta-feira (10) nos cinemas, na mesma semana em que a Rádio Nacional completa 90 anos. A obra, que integra a programação da EBC, celebra um dos programas humorísticos mais emblemáticos da Era de Ouro do rádio brasileiro.

09 de setembro de 2026 · Jonas Ribaldo

Gostou? Receba mais análises

Newsletter quinzenal · curadoria editorial · sem spam